Roupas para evangélicos conquistam espaço nas confecções

De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado noano 2000, a quantidade de evangélicos no Brasil aumentou nos últimos anos e corresponde ao segundo maior porcentual de fiéis no País. Algumas denominações estabelecem normas de vestimenta para seus seguidores e isso acaba se transformando em um nicho de mercado muito interessante para as confecções.
A estilista Maiara Folle trabalha em uma confecção onde são produzidas roupas destinadas ao público evangélico. A marca, que existe há aproximadamente 9 meses, surgiu da necessidade encontrada pelas vendedores na hora de escolher roupas mais comportadas. De acordo com a estilista, as saias e blusas mais compridas ganham um toque diferenciado. “Eu busco as tendências do mundo da moda e adapto a essas peças”, conta Maiara. “A gente utiliza acessórios como fivelas e strass.”
Maiara revela que a marca não passou por muitas dificuldades no começo devido ao público consumidor previamente conhecido. Uma pesquisa realizada no início com os representantes ajudou no trabalho e na criação do conceito da marca. “Houve um crescimento muito grande, no começo eram produzidas 400 peças, hoje são 3.000”, comemora.
De acordo com a estudante de moda Fernanda Tanaka, toda marca possui um público alvo e a segmentação do mercado pode ser um ponto positivo. “As marcas precisam vender e, para isso, têm que saber para quem estão vendendo a fim de desenvolver produtos de acordo com a vontade dessas pessoas”, explica. “A segmentação aumenta as vendas e produz um público fiel.”
A relação entre moda e religião foi tema de pesquisa da professora Loide Caetano, do Cesumar. Ela contou que a ideia da pesquisa surgiu do fato que, em algumas denominações cristãs, as mulheres vestem-se de forma diferenciada. As igrejas Pentecostais, a Assembléia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil foram o alvo da pesquisa. Segundo a professora, algumas religiões não permitem decotes e roupas curtas. “Eu quis fazer um trabalho para descobrir qual a relação entre a religião ou da própria espiritualidade da pessoa com a moda”, revela. Partindo desse tema, Loide descobriu que a indumentária faz parte da doutrina da igreja da qual essas mulheres pertencem. “Isso talvez não esteja nem escrito no papel, mas se ela não se comporta dessa forma, ela não tem aquele sentindo de pertencimento ao grupo”, conclui.

por Mayah Gasparoto

Deixe um comentário »

Qualquer semelhança é mera coincidência?

Eu estava vendo catálogo da nova coleção da Gabriela e levei um susto. A capa do catálogo é muito parecida com a capa da última Vogue Footwear, de julho. De quem será que foi a inspiração?

Capa Vogue Footwear julho 2009 Catálogo Gabriela

http://www.gabriela.com.br

http://www.voguebrasil.com.br/site

por Mayah Gasparoto

Deixe um comentário »

Moda e Cultura são complementares, segundo Jum Nakao

09_cul_jumcgFoto: Zuba Ortiz 

Jum Nakao é um dos mais importantes nomes da moda brasileira. Lembrado principalmente pela coleção “A costura do Invisivel”, apresentada em 2004 na Semana de Moda de São Paulo, SPFW onde no final dos desfiles as modelos rasgavam as roupas de papel.
Durante sua passagem por Maringá, na semana passada, conversei com Jum Nakao. Confira as melhores partes:

Mayara: A coleção “A costura do Invisível” causou bastante comentários. Quando fala em Jum Nakao a maior parte das pessoas lembra dessa coleção de papel. Essa reação já era esperada?
Jum Nakao: Não, a gente não fez nada pensando que iria virar o que virou. Eu acho que se você faz as coisas pensando na reação das pessoas não faz o que tem que ser feito.  Às vezes aquilo que é dito não é o que as pessoas querem ouvir.
M: Você vê a moda sob essa perspectiva do conteúdo. Você acha que a moda pode ser um agente de transformação?

J: Com certeza. A moda não é só roupa, tecido. A moda é aquilo que você ouve, lê, os filmes que você assiste. Isso vai fazer com que você tenha uma opinião. A partir do momento que você tem essas informações, você começa a se vestir espelhando sua resposta para o mundo. Quem não tem conteúdo é como se vestisse um corpo vazio de idéias. Então eu acho que primeiro, é importante que as pessoas pensem por esse aspecto antes de pensarem em vestir uma marca. Por que eu vou vestir uma marca se não faço diferença alguma e se não tenho o que dizer, nenhuma opinião, nenhuma absorção do mundo.

M: Você chegou a cursar engenharia, o que fez você mudar para o mundo da moda?
J: Quando eu pensei em tecnologia foi como um suporte. Eu queria usar a tecnologia para se expressar para as pessoas. Hoje em qualquer lugar que você vá, qualquer exposição de arte, bienal, você vê essa tecnologia muito presente, como uma interface, uma forma de expressão, uma forma de criar novas relações de percepção com o mundo. Mas há 20 anos, quando eu comecei a pensar em usar a tecnologia era como se eu estivesse falando em ficção científica nas escolas. Os professores não queriam, não tinham esse foco de pensar em multimeios, linguagem. A idéia deles era formar pessoas para trabalhar numa linha de produção. Foi nesse momento que eu procurei outra forma de interagir e de agir, por isso fui para moda.

M: Como você vê a moda hoje? Quando você começou as coisa eram um pouco diferentes de hoje, não eram?
J: Eu estou há 25 anos batalhando para que as coisas aconteçam. Nos anos 80 eu me encontrei com Walter Rodrigues e outros estilistas com a idéia de criar um pensamento criativo, ter uma outra cena acontecendo. Só que era muito cedo, tive que esperar dez anos. Em 1996 participei do Phytoervas Fashion e percebi que era o momento de fazer a diferença. Depois de 10 anos eu acho que eu consegui mudar muito pouco porque no nosso país falta muita educação e falta muita cultura. Faltam muitos valores na nossa cultura, precisamos encontrar nossas singularidades, nossas individualidades. Nossa cultura ainda não tem uma autovalorização, um autorreconhecimento. Quando você fala num processo de identificação, você busca o espelhamento. A identidade está muito ligada a você buscar uma cópia. Eu acho que é um processo para que você realmente descubra a individualidade, a partir do momento em que você se olha no espelho e gosta de quem você é. Isso ainda não aconteceu com o Brasil. Eu estou desde 2004 batalhando para que essas mudanças aconteçam.

Quer ouvir a entrevista na íntegra? Escute aqui.

por Mayah Gasparoto

Comentários (2) »

Projetos Sociais farão parte da Semana de Moda

Projeto de Reaproveitamento de Tecidos 

Além da programação com cursos e oficinas, uma exposição mostrará o trabalho de duas equipes que produzem artesanato, uma de reaproveitamento de tecidos e outra de bordadeiras. As equipes são formadas através de 2 projetos de uma parceria entre o IDR (Instituto para o Desenvolvimento Regional) e a Fundação Araucária. Estudantes de moda do Cesumar e 2 professoras dão aulas 2 vezes por semana desde o começo deste ano. Os cursos acontecem na sede da APMI (Associação de Proteção à Maternidade e à Infância) e as alunas são mulheres que têm entre 20 e 50 anos. O objetivo dos 2 projetos é capacitar essas mulheres de baixa renda e criar oportunidades para elas no mercado de trabalho.
Com as oficinas aplicadas no projeto “Cooperativa de Reaproveitamento de Tecidos”, as alunas desenvolvem a criatividade e o trabalho em equipe, por meio de atividades práticas, com retalhos das confecções.
A “Cooperativa de Bordados” é baseada em atividades que realçam o diferencial dos produtos personalizados, daqueles feitos em escala industrial. O projeto busca a capacitação nas várias formas de bordar.
Para Sandra Franchini, coordenadora do projeto de Reaproveitamento de Tecidos e responsável pela Semana de Moda do Cesumar, dar condições de visibilidade ao trabalho dessas mulheres faz parte do projeto. “O foco do projeto é a geração de renda, mas não é possível fazer isso sem que essas pessoas tenham a vivência do dia-a-dia. A Semana de Moda é uma oportunidade para que elas exponham esses trabalhos”.
Uma das palestras programadas para o evento tratará do assunto Sustentabilidade. Segundo Sandra o tema tem muita ligação com o projeto de Reaproveitamento de Tecidos. “Nós buscamos retalhos nas fábricas, eles são reaproveitados e viram renda para essas famílias”.

por Mayah Gasparoto

Comentário (1) »