A semana de moda de Paris destaca-se por seu conservadorismo e classe. Conservadorismo tal que, salvo umas duas marcas, pouca coisa das novas tendências do mercado foram vistas lá; tendo se repetido alguns dos estilos das estações passadas, como a masculinização do feminino. Dentre as pouca inovações, podemos destcar certamente a Balenciaga e a linha dourada de Vivienne Westwood.
Seguindo a linha apresentada nas últimas duas coleções (inverno e verão 2008), a Balenciaga, nas mãos do designer Nicolas Ghesquière, continua reinventado a linha minimalista desenvolvida por seu fundador na década de 1960. Se no inverno passado o novo estava no minimalismo em si, no verão a novidade era os tecidos floridos e os detalhes em couro e a evolução das formas orgânicas, neste inverno o que mais chamou a atenção foi o geometrismo, presente em todas as peças fazendo-as parecer criações rígidas e industriais.

Nunca contente como o “corriqueiro”, Vivienne Westwood apresentou sua coleção da Gold Line (linha mais cara e luxuosa de sua marca) com estampas feitas por crianças de sete anos de idade, ao som de Tati-quebra-Barraco com direito a modelos “montadas” em pernas de pau. A mistura nada ortodoxa, mas digna na Rainha do Punk, contou com muitas cores, calças skinny e volumes interessantes. Caro, nada muito semelhante ao já apresentado esta anos nas semanas de moda…


Dentre os que apostaram no jogo femme x home, Bruno Pieter foi quem deixou os traços mais claro em coleção comercial. Roupas inspiradas em ternos, gravas, calças de alfaiate… tudo para mostrar um mulher forte, tal qual nas décadas de 1940 e 1980. Algumas sais e vestidos na coleção tentaram afeminar o traço, mas sem esquecer o tom central do desfile.

Fazendo a mulher parece, literalmente, uma boneca em relação ao grande cabelo, grandes óculos, grandes padrões nas estampas e ainda maiores olhos, ficou clara a influência do inícios dos anos 1970 e à adorada Miss Robinson do filme Primeira Noite de um Homem no desfile de Christian Dior. John Galliano, o designer da Dior, usou preto, branco e cores super saturadas nas formas próximas ao corpo e ultra-femininas para ajudar em sua caracterização.


Falando em ternos, Martin Margiela o desconstruiu, destacando o que havia de mais masculino nele, como as ombreiras. Outras peças tentaram dar mais fluidez ao já sólido desfile, sempre apostando das linhas diagonais e a construção por camadas.

Contestando o ritmo frenético que a moda anda hoje, a dupla Holandesa Viktor & Rolf dez um desfile protesto. Para tanto, os tons utilizados foram quase que apenas o preto e tons de cinza, e ou as roupa ou a face das modelos clamavam o dizer “NO!”, ou seja, “não!”. As roupas pareciam se transformando em outras, como se, desde de sua concepção até sua confecção, a moda já tivesse mudado a ponto de que a roupa tivesse de mudar de design, o ainda mal acabadas, faltando pedaços ou com grampos fazendo a costura entre as partes.


Inspirado do drapeado grego, Junya Watanabi modelou sua coleção quase que inteiramente em jersey cinza a fim de dar leveza e fluidez às suas criações.

Famosa por seus volumes, Rei Kawakubo da Comme des Garçons inspirou-se no romantismo para dar forma a sua coleção. As roupas vermelhas, rosas, roxas, brancas e pretas mostravam a feminilidade e o amor por meio dos babados, fitas, laços e rendas. A desconstrução dos trajes, uma constante da estilista, esteve presente não só nos acabamentos, mas também nos dois últimos looks do desfile, que mais pareciam as roupas-de-baixo do séc.XVII.

De clara inspiração no início do séc.XIX, Yohju Yamamoto construiu jaquetas e chapéus de modelagem complexa utilizando fortemente, como de costume, o preto em contraste com algumas cores saturadas. Algumas barras não foram costuradas, de forma que, enquanto a modelo andava, o tecidos “desaparecia no ar” (Jessica Bumpus, na Vogue inglesa).

por Thais Arrias Weiller 