A palmeira e o Elefante

Quem diria que a solução para os elefantes mortos na África sairia da América do sul? Ou, Marfim e Mortemais especificamente, da floresta amazônica.

Todo ano, milhares de elefantes são mortos para movimentar um mercado de milhões de dólares; o do marfim. Anualmente, a Bostuana exporta 20m³, a Namíbia 10 toneladas e a África do Sul 30 toneladas; tudo isto legalmente.

Levando-se em consideração que o peso médio de uma presa gira em torno dos 90kg, e que cada elefante tem duas, são necessários mais de 200 elefantes para se chegar a esta quantia.

Segundo tratados internacionais, os únicos elefantes próprios para retiradas do marfim são os que morreram de forma natural ou que foram mortos por representarem perigo eminente aos seres humanos. Mas 200 é um número um pouco grande para mortes naturais, não? Principalmente para um animal que pode, tranquilamente, passar dos 70 anos de idade.

A palmeira Hyphaene Phytelephas

 

O fruto

Corte do fruto; as “bolinhas” são o marfim

Recentemente uma marca vem se destacando na reversão destes tristes fatos. A LeJu, que tem este nome devido a inicial dos nomes de seus criadores, oferece uma alternativa menos sangrenta; marfim feito dos frutos de uma palmeira amazônica chamada Hyphaene Phytelephas.

Para se extrair o marfim da Phytelephas, retira-se semente que está dentro do fruto (como mostra a foto acima). A cor e a aparência lustrosa, que são extremamente semelhantes ao marfim animal, são naturais na semente, mas o marfim vegetal, além de não causar matanças desnecessárias, é extraído de forma sustentável da floresta. E como a resistência vem da secagem natural, quando mais antiga for a semente, maior sua resistência e valor.

Semente bruta

Semente seca

Sementes secas que passaram por um processo de tingimento

Cada uma das peças com a etiqueta da Leju é feita a mão pela designer Holandesa Lenny Trines, que, junto com seu parceiro Colombiano Juan Munoz, garante que cada peça seja 100% artesanal e sustentável. As cores fortes e formas rústicas são a etiqueta inconfundível da LeJu. As cores são conseguidas com extratos e óleos de plantas coloridas, com os quais eles fazem o tingimento. Já as formas são o resultado de uma mistura entre cortes e repartições feitos antes da secagem, sementes inteiras e outros materiais provenientes da floresta.

Eles descobriram o Marfim Vegetal em 2004, em uma expedição à América do Sul. “Nos viajamos pelo Rio Amazonas através da Floresta Amazônica por oito semanas, parando em diferentes vilas para encontrar e conhecer as pessoas que as habitavam. Nos fizemos caminhadas na floresta com um guia que nos mostrou as diferentes plantas e arvores medicinais, plásticas e etc. Foi assim que fomos apresentados para a semente da palmeira, Tagua, ou Marfim Vegetal, e a outras sementes tropicais que eram naturalmente coloridas. Lenny ficou maravilhada pela possibilidade de fazer jóias com materiais vegetais e sustentáveis e sentiu uma maneira de juntas a Amazônia com sua compulsão por design e criação de jóias.”, disse Juan.

Colar da Leju

por Thais Arrias Weiller

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1 Response so far »

  1. 1

    Meg said,

    Fantástica essa matéria! E lindíssimo e original o colar. Parabéns!!!!!!!


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